O poder dos 60Hz, 500Hz e 8000Hz

 

Tá aí um artigo que eu queria muito escrever. Se você me perguntar qual a região de frequência que eu “mais gosto” eu te responderia que são três: A região dos 60Hz, 500Hz e 8000Hz.

Quando estava no curso de áudio lembro do professor Manny Monteiro comentar sobre a importância de, principalmente no início de carreira, se trabalhar com um analisador de espectro sempre aberto para poder ter precisão ao manipular frequências e ganhar uma certa intimidade com cada instrumento, sabendo direitinho onde fica a região de cada nota fundamental entre os diferentes elementos de uma mix por exemplo. Não só eu usava no início da carreira como ainda o uso tempo inteiro pois me dá muito mais propriedade para saber onde mexer e alcançar o resultado que eu preciso com o material que tenho em mãos.

Fato é que a união de movimentos nessas 3 regiões podem mudar radicalmente sua mix e master levando a diferentes resultados apenas acrescentando aqui e retirando ali. Vamos lá:

LOW – 60Hz
Na região das frequências mais graves acredito que não tenha nada mais gostoso do que aquele boost (suave ou não) naquela área dos 60Hz. A barriga do bumbo vem com mais força; o baixo chama aquele sub-grave mais consistente; até mesmo as guitarras conseguem extrair um certo “calor” nessa região (com o cuidado de saber em que ocasiões usá-lo). Inclusive esse “calor natural” que citei é uma das coisas que os equipamentos analógicos conseguem captar e extrair mais fielmente e que o digital por vezes peca um pouco na falta.
Aplicado esse boost que mencionamos na master de uma canção traz em si um corpo mais completo, sem puxar tanto (ou quase nada) dos médios-graves e sem embolar a região bem baixa dos sub-graves.

MID – 500Hz
Aqui temos uma questão um pouco diferente dentro do nosso esquema 60Hz-500Hz-8000Hz. Na região das frequências médias quando cortamos um pouco de 500Hz conseguimos instantaneamente deixar o som “menos massudo”, mais refinado, quase que um pouquinho mais “espalhado” e aberto.
Esse corte nessa região ajuda bastante a aumentar nossa percepção da imagem estéreo, pois as frequências médias (m-graves e m-agudas) são as principais responsáveis pela sensação de “presença”, de proximidade. Sendo assim ao fazer esse pequeno corte nessa região o som “abre” um pouco e com isso você consegue um pouco mais de “profundidade”, tirando aquela presença meio “tijolão” que deixa o som duro muitas vezes.

HIGH – 8000Hz
Nada me broxa mais do que uma canção sem “brilho”, fechada. É quase como não sentir a canção, falta vida, falta uma certa “luz” no som.
Nesse aspecto, pra mim, nenhuma região é tão poderosa como o espaço dos 8000Hz, ou como chamamos, 8kHz. Um pequeno boost nessa área pode trazer todo aquele aspecto de “ar”, de “vida”, de “realidade” dos instrumentos e microfones.
Alguns cuidados são necessários, visto que ao trazer pra cima a região dos 8kHz pode facilmente puxar consigo frequências de 3kHz, 4kHz, 5kHz e também dos 12kHz que são importantes para outras coisas, mas em termos de “brilho” e “vida” não são tão refinadas como os 8kHz.

Veja alguns exemplos de como é possível utilizar essa técnica. Vale lembrar que as equalizações feitas no video foram executadas de maneira mais simples para evidenciar o assunto tratado e é indicado uma equalização um pouco mais cirúrgica em alguns elementos para se obter um resultado melhor.

Obviamente que TODAS as frequências são importantes e um som bem balanceado é aquele que não apresenta deficiências em nenhuma região de frequências. Porém, essas três regiões são quase que “coringas” pois nos dão a possibilidade de instantaneamente passar quase que de um som “duro”, “fechado” e “magro”,  para um som muito mais “rico”, “quente” e com vida. Essa diferença fica bem evidente quando aplicamos esse “refinamento”.

Claro que cada um tem suas particularidades e preferências se tratando de audio, mas não há como negar que algumas coisas simplesmente soam bem a praticamente todos os ouvidos. Essa técnica do 60-500-8000 é uma das minhas preferidas e devo dizer que sempre cai muito bem. E você, qual é a sua?